(anotações: email pra mim mesmo; encontro: um meio pra mim; metade do mundo: meio, pra mim; introspecção: meio pra mim)
10.9.13
O charme da escrita
Quando se começa a afundar cada vez mais na escrita, os meios se tornam mais interessantes, mais instigantes ao gosto interno. Uma caneta pode ser qualquer caneta, uma simples caneta. Mas quando se afunda - mesmo! - na escrita, a caneta não é uma reles caneta. É especial, tem textura, tem desenvoltura, movimentos, espessuras, arranques e paradas. Cada caneta na mão não é mais uma caneta qualquer. É uma guia única para um mundo especial de palavras, que só ela pode conduzir na experiência da criação escrita. Talvez o mesmo ocorra com as fontes nos processadores de texto. Assim também se dá pelo papel. Um papel mais claro ou mais escuro, mais denso ou mais fino, faz com que a escrita reaja de modos distintos ao universo criativo do autor. Isso tudo - canetas, papéis, fontes, ventos, temperaturas, sonhos, aromas - só se torna sensível ao escritor se ele se afunda, cada vez mais, no misterioso ofício da escrita.
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