Os órgãos foram colocados de volta ao corpo. A pessoa de Elza ressurgiu. Henrique estava abalado por dentro. “Acabou”, disse o legista. “Fiquei até o fim”, respondeu. “Ficou, ficou sim”, falou o legista. “Agora vou-me embora”, continuou Henrique, falando baixo. “Vai, vai”, disse o legista, com certo desalento.
Saiu pelo corredor, passou pela porta-balcão e adentrou a sala. O mundo ainda rodava à sua volta. Os dois rapazes tinham ido embora. Só queria reencontrar o mundo lá fora. Pegou o elevador, desceu e correu para a saída. Na porta da rua o sol bateu em cheio no seu rosto. Ele fechou os olhos e cobriu-os com as duas mãos. Disse: “putaquepariu”, ainda com as mãos no rosto. E pensou: “Elza morreu porque viveu intensamente a vida!”. Descobriu o rosto, olhou para os lados e fez o mundo parar de rodar. Sentiu, por dentro, que ainda teria que ligar muitos pontos do que foi a curta e intensa vida de Elza.
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