Dois anos de diário. Dois anos de escrita companheira de meu cotidiano. Dois anos de uma experiência muito bacana.
Uma experiência que se transformou intensamente nesse período. O jeito, o teor, a periodicidade, a emotividade, diversas dimensões da escrita que se metamorfosearam. Nada de linearidade, não houve uma "evolução" no diário. Houve, sim, a mais errática experiência. Com certeza me conheço mais. Também sei que tenho muito mais mistérios.
Há mais ou menos um ano atrás eu descobria os diários de Anaïs Nin. Fiquei fascinado. Percebi a potência da experiência do diário. De grande efeito pessoal. E literário (grandíssimo, no caso de Anaïs).
Mas a potência literária do diário coloca uma sensível questão sobre o público e o privado nessa escrita toda. Não pretendo que meu diário seja público. Não escrevo pensando nisso. Portanto, minha experiência perde em potência?
Até agora acredito que não. A escrita de um diário é de extrema reviravolta no mundo subjetivo. Esses dois anos me mostram isso. Não há como passar incólume por tudo isso. Tal experiência marca meu mais profundo sentido de existir neste mundo.
(anotações: email pra mim mesmo; encontro: um meio pra mim; metade do mundo: meio, pra mim; introspecção: meio pra mim)
31.7.14
29.7.14
O maior prazer em vida
a literatura é o maior prazer em vida. tal qual o sexo. se o orgasmo é o prazer concentrado, a leitura é o diluído prazer ...
27.7.14
latino-américa
esparramada em canto
olha-me
me quer?
ao canto
estás a fitar
eu... encabulo-me
é só olhar
e boca e curvas
a luz é generosa
sombreia teu desejo
digo que me queres
junto, bem junto
e sorriso é canto
de boca
abre-se... de lado a lado
estou contigo
dança... cumbia, salsa
te sigo.
ecuador, colombia e venezuela
ah, bolivar... que chévere!!!
amo-te em infinito
latino-américa!!!
olha-me
me quer?
ao canto
estás a fitar
eu... encabulo-me
é só olhar
e boca e curvas
a luz é generosa
sombreia teu desejo
digo que me queres
junto, bem junto
e sorriso é canto
de boca
abre-se... de lado a lado
estou contigo
dança... cumbia, salsa
te sigo.
ecuador, colombia e venezuela
ah, bolivar... que chévere!!!
amo-te em infinito
latino-américa!!!
26.7.14
Órion
Árido planeta
banhado pelas águas púrpuras
de ensandecidos
cavalos - que descem montanhas
a milhares de milhas por hora.
O céu desceu à terra
é tudo tão azul em Órion
e a vista é úmida e límpida.
Adentra minha visão
o cheiro dos cavalos trôpegos
depois de um banho de mar.
A textura cinza de suas peles,
com pelos curtos e escovados
por brisas de infinitos desfiladeiros,
desafia minha memória.
Os cavalos de Órion
são a neblina do riacho
onde matam a sede
de mil gerações.
Cavalos de Órion,
que pude montar em
sonhos púrpuras e impregnados
do calor da areia do deserto
(o mais extenso de teus sonhos,
lembra?),
inquietam minha visão.
Deitado na floresta
sob teu corpo
contemplo nuvens,
a copa de uma árvore
com quase três mil anos de vida
e um pássaro
verde, azul e cinza
a me observar.
O olho do pássaro me diz
que nuvens são curvas
de teu corpo.
O olho do pássaro
é teu olho
a irradiar sabores
da fruta que exala
nosso último beijo.
banhado pelas águas púrpuras
de ensandecidos
cavalos - que descem montanhas
a milhares de milhas por hora.
O céu desceu à terra
é tudo tão azul em Órion
e a vista é úmida e límpida.
Adentra minha visão
o cheiro dos cavalos trôpegos
depois de um banho de mar.
A textura cinza de suas peles,
com pelos curtos e escovados
por brisas de infinitos desfiladeiros,
desafia minha memória.
Os cavalos de Órion
são a neblina do riacho
onde matam a sede
de mil gerações.
Cavalos de Órion,
que pude montar em
sonhos púrpuras e impregnados
do calor da areia do deserto
(o mais extenso de teus sonhos,
lembra?),
inquietam minha visão.
Deitado na floresta
sob teu corpo
contemplo nuvens,
a copa de uma árvore
com quase três mil anos de vida
e um pássaro
verde, azul e cinza
a me observar.
O olho do pássaro me diz
que nuvens são curvas
de teu corpo.
O olho do pássaro
é teu olho
a irradiar sabores
da fruta que exala
nosso último beijo.
25.7.14
Coração do Meio
Eu tenho um girassol
em meu centro.
O girassol é o
coração do meio.
O meio de onde
tudo se expande.
Girassol florido, exuberante,
exalo a fragrância
do amor e da paixão.
Cresce, girassol, cresce!
e semeia no mundo
a entusiasmante alegria.
O brilho que irradio
vem da serenidade
com a qual cultivo
o meu girassol.
Meu coração do meio
é o meio do sol.
em meu centro.
O girassol é o
coração do meio.
O meio de onde
tudo se expande.
Girassol florido, exuberante,
exalo a fragrância
do amor e da paixão.
Cresce, girassol, cresce!
e semeia no mundo
a entusiasmante alegria.
O brilho que irradio
vem da serenidade
com a qual cultivo
o meu girassol.
Meu coração do meio
é o meio do sol.
22.7.14
conta!
contar o que te encanta
em conto que não se conta.
quem canta, em canto,
talvez diga o quanto
o corpo se encanta.
no canto, me conta!!
em conto que não se conta.
quem canta, em canto,
talvez diga o quanto
o corpo se encanta.
no canto, me conta!!
14.7.14
Embaraço
À tua briga
eu sou solidário.
na praia
nada passa.
um simples
passar
é existir
e dizer
a tu:
somos todos
iguais!
me abraça
homem de tudo
seremos nada
a nadar
no nectar
de amor!!!!!!
senti
o frio de teu cajado...
esquenta-o, homem...
e diga-me o que quer
assim tão simples.
eu sou solidário.
na praia
nada passa.
um simples
passar
é existir
e dizer
a tu:
somos todos
iguais!
me abraça
homem de tudo
seremos nada
a nadar
no nectar
de amor!!!!!!
senti
o frio de teu cajado...
esquenta-o, homem...
e diga-me o que quer
assim tão simples.
3.7.14
O significado da impecabilidade
"Contei-lhe como foi que Don Juan me fez compreender o que significava a impecabilidade. Ele e eu estávamos caminhando um dia numa ravina muito profunda quando uma pedra imensa soltou-se da parede rochosa e caiu no fundo da garganta, com uma força formidável, a uns vinte ou trinta metros de onde estávamos. O tamanho da pedra tornou sua queda uma coisa muito impressionante. Dom Juan aproveitou a oportunidade para dar uma lição teatral. Disse que a força que governa os nossos destinos está fora de nós e não tem nada a ver com as nossas ações ou vontade. Às vezes essa força podia determinar que parássemos de caminhar e nos abaixar para amarrar os cordões dos sapatos, como eu acabara de fazer. E, fazendo-nos parar, com aquela força nos fizera ganhar um momento precioso. Se tivéssemos continuado a andar, aquela pedra imensa certamente nos teria esmagado e morto. Um outro dia, porém, em outra ravina, a mesma força determinante podia tornar a fazer-nos parara para nos abaixar e amarrar os cordões dos sapatos, enquanto outra pedra se soltaria exatamente acima do lugar em que nos encontrássemos. Fazendo-nos parar, aquela força nos teria feito perder um momento precioso. Naquela segunda ocasião, se continuássemos a andar, teríamos sido salvos. Dom Juan disse que que, diante de minha falta total de controle sobre as forças que decidem o meu destino, a minha única liberdade possível naquela ravina consistia em amarrar os cordões de meus sapatos de modo impecável."
[Carlos Castañeda, in "O segundo círculo do poder"]
[Carlos Castañeda, in "O segundo círculo do poder"]
1.7.14
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