Árido planeta
banhado pelas águas púrpuras
de ensandecidos
cavalos - que descem montanhas
a milhares de milhas por hora.
O céu desceu à terra
é tudo tão azul em Órion
e a vista é úmida e límpida.
Adentra minha visão
o cheiro dos cavalos trôpegos
depois de um banho de mar.
A textura cinza de suas peles,
com pelos curtos e escovados
por brisas de infinitos desfiladeiros,
desafia minha memória.
Os cavalos de Órion
são a neblina do riacho
onde matam a sede
de mil gerações.
Cavalos de Órion,
que pude montar em
sonhos púrpuras e impregnados
do calor da areia do deserto
(o mais extenso de teus sonhos,
lembra?),
inquietam minha visão.
Deitado na floresta
sob teu corpo
contemplo nuvens,
a copa de uma árvore
com quase três mil anos de vida
e um pássaro
verde, azul e cinza
a me observar.
O olho do pássaro me diz
que nuvens são curvas
de teu corpo.
O olho do pássaro
é teu olho
a irradiar sabores
da fruta que exala
nosso último beijo.
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