31.7.14

Dois anos de diário

Dois anos de diário. Dois anos de escrita companheira de meu cotidiano. Dois anos de uma experiência muito bacana.

Uma experiência que se transformou intensamente nesse período. O jeito, o teor, a periodicidade, a emotividade, diversas dimensões da escrita que se metamorfosearam. Nada de linearidade, não houve uma "evolução" no diário. Houve, sim, a mais errática experiência. Com certeza me conheço mais. Também sei que tenho muito mais mistérios.

Há mais ou menos um ano atrás eu descobria os diários de Anaïs Nin. Fiquei fascinado. Percebi a potência da experiência do diário. De grande efeito pessoal. E literário (grandíssimo, no caso de Anaïs).

Mas a potência literária do diário coloca uma sensível questão sobre o público e o privado nessa escrita toda. Não pretendo que meu diário seja público. Não escrevo pensando nisso. Portanto, minha experiência perde em potência?

Até agora acredito que não. A escrita de um diário é de extrema reviravolta no mundo subjetivo. Esses dois anos me mostram isso. Não há como passar incólume por tudo isso. Tal experiência marca meu mais profundo sentido de existir neste mundo.

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