29.12.17

Nuevo diario

Páginas que me reciben,
los apuntes son para ti cariños.
Juntos buscamos el orgasmo cósmico.
Tántricas líneas, deseo es escritura:
- mis susurros en tus entrelíneas.

afago

cão postado ao largo da cama
o suor é inocente, coroa o sono
víbora sanguinolenta do amor
corpo de jade, esculpe o sonho
não se tratam por nomes, apenas
esmeraldas, escalavradas em nacos
de sumo, areia e palavras – ocas

corro para te clamar
sem embargo, o tempo
é nosso - e não suporto
te ter por longe.
amo–te, te amo
distantemente te
desejo, me afogo
em mares de sereias
que a mim te afagam.

linha que une
é corpo desnudo
em branca lua
– imortal, imoral.

27.12.17

Cerrado mediterrâneo

Horas da tarde
o globo gira em outro sentido
e eu tento me acostumar

Caem folhas, vento gélido
um ciclo mais, tantos aqui
passaram, e eu também.

Algo familiar - o desértico
cerrado mediterrâneo -
é mar, terno.

Tudo passa por um reencontro
amigos & amigas, paisagem,
um mar que nos uniu, não nos separa.

A maturidade vem me sussurrando
que força é ilusão e deixar ser
é defrontar-se em deleite.

Vento terrestre
mestre é o mar
que guia e abençoa.

18.11.17

Apunte

Reconcilio-me comigo mesmo,
sigo com meu sorriso
(e duas malas de 50 quilos).
Pois vida é de uso e gozo,
não é propriedade 
nem sofrimento.

Hoje faz um mês
de mudança - e hoje
me dei conta que mudança
é sempre interna,
não está lá fora.

Sigo em frente sorrindo
e transbordando amor.
Renascer sempre é possível,
está acontecendo
e em todo lugar.

11.11.17

"Esse é o amor que eu quero!"

Quando o tempo para em guarida terna.
Adentrar-se em labirinto do teu leito.
Selvas de tuas coxas,
pelos encharcados por maresia de desejo.

Vislumbro, ao horizonte, tempestade
- o vento que sopra de teu hálito cálido
insinua torrentes de sussurros delirantes,
orgasmos, bem-querer.

Há tormenta. E há teu abrigo.
Casa é liberdade. E, a tua, ainda libertinagem.
Alheado do pudor, me entrego. Até o que não sei ser.

Respeitamos segredos.
E com o secreto, obscuro, jogamos.
Desejo se atiça no entredizer, sussurros a instilar.

Se em hora de gozo, por mudo delírio gritei:
"Esse é o amor que eu quero!"
é porque não o soube definir.
Foi sentimento, percepção, experienciação.
Palpite, enfim: rocei o vento e o vapor
de mil eras atrás.

Sem ser passado, tampouco devir,
esvai-se por entre mãos, sexo e visões
a penetrar e enredar-se
por mil pórticos de arrebatamento e frenesi.

Amor assim é portão de casa:
caminho de aconchego e assanhamento de vereda.

2.11.17

locos, locos

una sonrisa, la palabra dicha
la espalda que veo y que deseo
nuevas perspectiva, ciudad de la locura
el viento, lengua de tus aires
la libertad y la muy buena onda
vivir en ti sin tenerte
eterno pasajero del presente
somos muchos, muchísimos
y gritamos hacia los planetas:
no a la mala leche,
viva el deseo!

30.10.17

Secretos

Días, noches, labores
sin fines soy amores

Pasan los días, como los años.
Intensidad me lo hace eterno.
El olor de la flor
es pasajero - enseña la paz.

Aceptar que el alba se va
y que luego volverá.

El sentido del mundo,
más allá de mis sentidos,
sorpresa divina, se revela
en los secretos de mil lecturas.

28.10.17

la mar mediterrània

alento das águas
de recordar o todo, uno
observar as ficções,
convenções diárias
o centro se faz, então,
infinita paz, beleza,
sal que acolhe,
tarde que finda 
para um recomeço:
universo presente.

27.9.17

paradoxo

retornando acercou-se
de quem havia dito
que à merda fosse.

àquele que antes suplicou
por amor não olvidar,
reecontro relegou.

mensagem certeira,
que a inimizade se foda
quando um amor queira
mais que uma foda. 

21.9.17

aranha

futuro que arranha
presságios sem temor
ausência de fobia
boa venturança assigna
tecendo novas teias
aracno-temor onírico
do panteão delirante
guia o devir-bricolàgé
em precaução e remanso

Hairy Spider, Louise Bourgeois.

14.9.17

O que me lê

Perdi o papel e algumas entrelinhas.
Esbarrei com o amor, sempre ali.
Queria dizer - a alguém? - tantas carícias.
E o telefone não soou.
(nunca disse que me lia)
Compreensão que, por muito, é tão vaga.
Em lua minguante, decisões se tornam hercúleas.
Temor do caralho,
sigo rumo ao completo insucesso.
Rio, ah se rio, dos pensamentos.
Mente que me acaba...
Esses dias de hoje emdia, estamos em automático,
sem sentir, sem escutar, abduzidos.
Sorrio, enquanto testemunha de mim,
e me surpreendo com a beleza do nada.

1.9.17

Necesidad

Necesito escribir
Hay algo que pasa y no sé qué
Calles vacías, rojas del otoño, invierno
No deseo caminar
Mis pies descalzos, tierra caliente, dudas
El viento, ¿qué me lo dice?
Algo a olvidar, capaz... no me acuerdo
Un olor que se fue, cielo de mil tonos
Es de lo que no se necesita
No porque no más se lo necesita
Sino que se fue, por haberse ido
- luces y nada del alba -
Sin prisa, ni notarse
El latido en mi pecho se la sorprendió
Ganas, como el sol que mata a la noche,
Tengo ganas nuevamente!

20.8.17

corazón roto

para olvidarmelo
he escrito su nombre
casi infinitamente
por toda la pared.

sin embargo,
me ha resuelto
menos doloroso
aceptar que

lo que no se olvida
es lo que se hace ausente.

13.8.17

Tarde o temprano

Luces en el mar.
Tarde de palabras en el aire.
Pasaba por dos o tres corazones
escindidos y dilacerados - yo todo hambre.
Azul por el cuaderno,
apuntes de un diálogo olvidado.
Otoños, perros lentos.
Pájaros: te miran.
Escucho un calor que habrá de llegar.

27.7.17

con ciencia

infinitas energías
desde el cosmos devenimos
brevedad pasajera
en el corazón del universo
no hay tiempo de espera
cuando quedamos por acá
agonía del deseo
es conciencia de la esperanza

23.7.17

Decisiones

Incertidumbre, penumbras
mi paso adelante
el mundo pasa, despacio,
acelerado, mi deseo.

El día se pone,
tu vida se desvanece
siento que me anhelas,
laberínticas noches de peleas.

No hay preguntas
misterios nos guían
el caos sofocante
dolor que no se mueve.

El pájaro de la suerte
se nos brinda con licor
la copa del amor
tu decisión se la ambiciona.

14.7.17

Antes de todo

Sonidos pasajeros de ilusiones
Indumentarias insanas impulsan el invierno
Tu cuerpo es la leche de la hembra
Que les emancipa con regalos
Adornos de piedras secas y calentadoras
Intento febril, dámelas!
Etéreas burbujas en pública plaza
Quisiera ser tuyo, me tienes desde hace tiempos
Tierra infinita, cielo que ennegrece
Temprano sí de dulce fragor
Conozco a tus hijos - el deshacer de tiempos
Huimos, anhelo cósmico.

9.7.17

Lenguas

Once de la noche, invierno.
Hablo otra lengua,
no me acuerdo si la materna.
Solo sé que es la del amor.

Tu beso hace en el aire un estallido:
mi lengua en tu lengua.

Siento el cielo, no lo de tu boca,
sino aquél de la inmensidad
de nuestra noche de pasión.

nerfetiti

sonhei, sonhei muito com algo que era você
e lembro demasiado furor
desejo esquecer tal como o sol repõe a manhã
algo acontecia, terrificante
vertiginosamente real, de nada me escapa
perdido pela cidade, oniricamente sentia
tentacular insensatez,
dizia adeus o mundo
e sombras do teu nada, insípido
disparada, tão concreto, e ao teu lado
quisesse esquecer e nada se fez
bem-aventurança do limo em quimera invernal
foi-se pouco, quase um tal remanescer
ardilosa pausa do sonhar.

1.7.17

tição e brasa

do que é rosas
e por vezes espinhos
crispa no peito
a chama e labaredas
é noite e titubeios
nuvens, pasmaceira, furor
paixão e veneno, siameses
simétrico desejo, fogo e paz
complacência e remedo
longiquidade, pare-se desespero
afeto caçando lugar
quando coadjuvante
ambiciona estrelas, constelação
o fogo queima
vezes faz aquecer
e tantas crestar e doer.

25.6.17

oscilação

a incerteza
da certeza
é a tormenta
que carrego
no peito
anunciadora
da manhã
vindoura
solar, brisera

é inversamente
proporcional
ao amor que
teima, queima
a dubiez
outra face
una, única
de calor
expectação
e ardor

17.6.17

Caos da tarde

Um amor, um sorriso,
contágio, impregna.

Me desconcerta,
faz escapar linha reta.

Incêndio, o horizonte colorido,
febre mística.

Cura, sangra,
brilho de lua.

Quando somos adição,
subtrai-se o avesso.

Resta o mergulho,
caos em total entrega.

5.6.17

Ao solar

O sol tomou conta do meu corpo. Pássaros atentos roçavam o mar. Sal, pimenta e refresco. Melanina menina, infinito sorriso. Lua que beija cada um em nós, pequenas orações de petulância. Areia futurista, carnal desdobrado me consumindo em ardências. Outro ser, qualquer plano à temperatura relativa, caos aleatório. Por un instante, uma foca; lares em busca(?). Abriu-se uma porta, expande-se o alívio. Calma, por enquanto, é solar.

1.6.17

plantas de poder

sinais,
indícios sutis,
coincidências precisas,
nada casuais e causais,
ao dar-me conta,
já estão,
presentes, regalos,
confirmadas, presentes,
dores e alívios, fortificante caminho,
nada obviedades,
tampouco ornamentos,
ferramenta cósmica,
poderosas, plantas.

22.5.17

Perro, Amigo

observo, minha imensidão.
(La Pedrera, Uruguay)

calma, cada instante.
(La Pedrera, Uruguay)

10.5.17

Aconchego

Um cantinho
contigo,
nos acariciando e pensando
deixar ser e amar
profundamente,
rotundamente - que palavra!
sem medo,
em sinceridade,
a respeitar o ritmo
interno, a natureza!

E somos os pássaros,
qual o dia de hoje?
amar é muito fluir
chorar e sorrir, beijar-te
E entender esse enigma
entre nós - as árvores, loucas,
balançam céus de nuvens,
e muito azul.

Relaxar o corpo em ti,
frenesi,
abundante calmaria
que encontra em meu peito.
Me sacia a fome,
envolvimento.

Cai a noite - verão, inverno? -
outono,
lágrimas correm,
o amor (te amo, te amo!)
loucamente sereno
te sabendo em meus lábios.

Paro, escuto,
ressonâncias breves,
violeta ao horizonte,
apago a luz, o desenho
teu semblante,
seminus os pensamentos
queimo
desejo, teu encontro
saceio a fome 
desperto em teu ventre.

7.5.17

Besos

Me encanta tu beso,
desde el primero.

Cuando te beso
es como el primero,
de eterna adolescencia. 

Somos un infinito empezar,
de amor y de ganas.

Te beso, estés donde estés.

13.4.17

Animal de poder

Signos do zodíaco, Salvador Dalí.
sonhos intensos
medo, receio, pavor
recorrente em semanas
constante aparição

remeto ao inconsciente, coletivo
algo a dizer, latente
não é só impulso, afetivo
fala sobre a alma, recente

figura escorpiônica
animal de poder
em imanente véu onírico
viés subliminar

medicina da intensidade,
força, inteligência, sexualidade
ir profundamente em tudo,
instinto de sobrevivência.

13.3.17

F(r)ases

um chá
é verão
queimo por
dentro e
por fora
contradições e fases
múltiplos
um só
e tantos
o gole e a
lua.

10.2.17

Escrito quando vi o brilho se perder

amor é força
o que atravessa
faz mover
pelo que for
como for
é arrebatamento
pulsão incontrolável
múltiplo insaciável

o coração segue:
não se assossegue!

só perde o brilho
distante a urgência
o fogo que arde
se deixa morno
compromisso ausente
o frenesi do sim, sim
é o medo do não:
sufocado coração

eu queimo loucamente por amar
por onde o insadecido me inebria
meu compromisso é com o pulsar
que arrebata e faz ir longe e retornar
- devir do eterno ressurgir  -
o amor não acabou, já está a brotar

"Mas nesta época eles dançavam pelas ruas como peões frenéticos e eu me arrastava na mesma direção como tenho feito toda a minha vida, sempre rastejando atrás de pessoas que me interessam, porque, para mim, pessoas mesmo são os loucos, os que estão loucos para viver, loucos para falar, loucos para serem salvos, que querem tudo ao mesmo tempo, aqueles que nunca bocejam e jamais dizem coisas comuns mas queimam, queimam, queimam como fabulosos fogos de artifício explodindo como constelações em cujo centro fervilhante - pop - pode-se ver um brilho azul e intenso até que todos 'aaaaaaah!'" [Jack Kerouac, On the road]

15.1.17

por um fio


por um fio...
tudo entre nós
está
por um fio...
prestes a se transformar
em algo que não sei
o que é: carinho, disjunção,
compasso ou paixão?
incerteza
- tudo por um fio,
um fio! -
se vamos e seguimos
por distintos caminhos,
juntos e separados,
talvez,
tão próximos e,
por vez,
juntos e apaixonados.
pra mim, agora,
só depende de você:
pois, nosso mundo,
por um fio.
- você quer ou quer?
indagação perniciosa,
eis a descompostura
que estremece o peito,
irrequieto banzo.
tudo por um fio...
me toma a insegurança, agora,
de saber qual, que tipo,
de onde vem e para onde vai,
tal fio.
talvez não seja aquele 
de romper-se,
insuturável, de única ponta.
pouco sei -
quem sabe o fio do óleo
de essências afrodisíacas
que ensandece os poros
em desejo insaciável -,
só me parece
que tudo está 
por ele... 
e eu por você: quer?