10.2.17

Escrito quando vi o brilho se perder

amor é força
o que atravessa
faz mover
pelo que for
como for
é arrebatamento
pulsão incontrolável
múltiplo insaciável

o coração segue:
não se assossegue!

só perde o brilho
distante a urgência
o fogo que arde
se deixa morno
compromisso ausente
o frenesi do sim, sim
é o medo do não:
sufocado coração

eu queimo loucamente por amar
por onde o insadecido me inebria
meu compromisso é com o pulsar
que arrebata e faz ir longe e retornar
- devir do eterno ressurgir  -
o amor não acabou, já está a brotar

"Mas nesta época eles dançavam pelas ruas como peões frenéticos e eu me arrastava na mesma direção como tenho feito toda a minha vida, sempre rastejando atrás de pessoas que me interessam, porque, para mim, pessoas mesmo são os loucos, os que estão loucos para viver, loucos para falar, loucos para serem salvos, que querem tudo ao mesmo tempo, aqueles que nunca bocejam e jamais dizem coisas comuns mas queimam, queimam, queimam como fabulosos fogos de artifício explodindo como constelações em cujo centro fervilhante - pop - pode-se ver um brilho azul e intenso até que todos 'aaaaaaah!'" [Jack Kerouac, On the road]