Sou água que move moinhos,
força bruta da beleza,
o cair da cachoeira,
florescência de selvagem prado.
Me atravessa o fogo
e queimo em cerrado inverno.
Vento que arde a brasa,
tenho o sal por onde navego.
Delicado experimento do amor,
em descalça terra finco raízes,
atravessando vidas de mil cosmos
pouso em ventre de acolhida calmaria.
(anotações: email pra mim mesmo; encontro: um meio pra mim; metade do mundo: meio, pra mim; introspecção: meio pra mim)
29.6.16
26.6.16
ardor
virtudes perambulando
nuas, como escárnios
sem protuberâncias cínicas
vivências de espécimes
lúgubres do resplandecer
viva o cosmos, o som da expansão!!
vento, vento e vento, virulência
peso do astrolábio nas costas
buscando a pá do sal sobre a flor
cai o mar e todo o seu pudor
cai o doce ardor do céu em cor
ritmo lento é névoa que desce
e pontua o ensandecido amor.
nuas, como escárnios
sem protuberâncias cínicas
vivências de espécimes
lúgubres do resplandecer
viva o cosmos, o som da expansão!!
vento, vento e vento, virulência
peso do astrolábio nas costas
buscando a pá do sal sobre a flor
cai o mar e todo o seu pudor
cai o doce ardor do céu em cor
ritmo lento é névoa que desce
e pontua o ensandecido amor.
24.6.16
tito e a sala
ao buscar o espelho da sala, encontrou um banco que emanava intensa luz. do ângulo de sua visão, o fosco era somente o entalhe, e o justo transbordava a parte menor que brilhava. não era um banco comum. mas carregava algo de ordinário - o que o incomodava. a luz era indireta. um tanto difusa. a suspensão dos minutos provia horas de fixação sobre aquela peça. sentaram-se um, dois, três ou quatro sujeitos. reconheceu todos, figuras familiares. porém o banco continha, ainda, algo de intransigente desassossego. o cheiro da madeira triturada em meio a cravos, fazendo suscitar leves suspensões do estofado, acionava breves imagens distorcidas de momentos recalcados de almas passadas, seculares. madeira de prados, cravos criados: vidas passadas e pulverizadas. o chá do mosto da madeira descansava sobre o banco, o que o insultava. não pelo inusual do quadro. mas pelo quanto a totalidade do cenário o provocava em desejos irrealizáveis. pois não poderiam ser formulados! o banco e o chá... e agora aquele feixe de luz que entrava pelo canto da porta. o sofá brando. a calça amassada. e uma impotência que gostaria de admitir. injusta com seu cosmos. não se tratava de impotência. muito provável a impossibilidade da comunicação. um banco, um chá, uma luz, uma sala e um alguém. só.
3.6.16
Do que vem
Do que será feita
a essência do júblio
quando o que virá
é novo e denso,
envolto em suspense
e tensão,
de longe exalando
intensidade e
singular beleza?
(e mais à frente
- "não temas!" -,
naquela esquina,
te aguardam
o amor e a loucura.)
a essência do júblio
quando o que virá
é novo e denso,
envolto em suspense
e tensão,
de longe exalando
intensidade e
singular beleza?
(e mais à frente
- "não temas!" -,
naquela esquina,
te aguardam
o amor e a loucura.)
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