(anotações: email pra mim mesmo; encontro: um meio pra mim; metade do mundo: meio, pra mim; introspecção: meio pra mim)
24.6.16
tito e a sala
ao buscar o espelho da sala, encontrou um banco que emanava intensa luz. do ângulo de sua visão, o fosco era somente o entalhe, e o justo transbordava a parte menor que brilhava. não era um banco comum. mas carregava algo de ordinário - o que o incomodava. a luz era indireta. um tanto difusa. a suspensão dos minutos provia horas de fixação sobre aquela peça. sentaram-se um, dois, três ou quatro sujeitos. reconheceu todos, figuras familiares. porém o banco continha, ainda, algo de intransigente desassossego. o cheiro da madeira triturada em meio a cravos, fazendo suscitar leves suspensões do estofado, acionava breves imagens distorcidas de momentos recalcados de almas passadas, seculares. madeira de prados, cravos criados: vidas passadas e pulverizadas. o chá do mosto da madeira descansava sobre o banco, o que o insultava. não pelo inusual do quadro. mas pelo quanto a totalidade do cenário o provocava em desejos irrealizáveis. pois não poderiam ser formulados! o banco e o chá... e agora aquele feixe de luz que entrava pelo canto da porta. o sofá brando. a calça amassada. e uma impotência que gostaria de admitir. injusta com seu cosmos. não se tratava de impotência. muito provável a impossibilidade da comunicação. um banco, um chá, uma luz, uma sala e um alguém. só.
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