17.9.15

Lembranças

A mãe italiana fala ao ouvido. Eco em palavras inaudíveis. Sons que tornam o dia mais branco. Pediu para sair. Eu mesmo não acreditei que Janice viera. Queria sair. O cheiro recendia por toda a casa. Piso do avô, amor fraternal, disputas pelo prato. Estava o céu em queda. Família que não se reunia. Eu mesmo ligaria para todos. Fernanda passa correndo. Nem um beijo. Nem um beijo. Sempre aquele detalhe do queijo que coalha à beirada da entrada. Lembranças. Sons. A tarde que cai, o dia que não vem, noite longa. Fogueira. Velho que se foi. Novo que não vem. Sentiu o som em sua boca.

10.9.15

00:55

O silêncio da alma em tua boca. Carinho de bebê: carrinho de bebê. Espera no sótão. Busca amor e compaixão. Cheira. Erra muitas vezes. Passa por cima. O céu azul escuro de uma noite ensolarada. Passa do reverso. Te grito. Erro. Erro. No continente minha queda. Me acerta. Pega em cheiro. Como eles transbordamos. Poderiam contar imensas histórias. O papel de tenras memórias. - O que quer desenhar em teu corpo? - Aquilo que não perdura. O insaturável. Irascível presença.

1.9.15

Prazer

Desnudar o corpo
com o sabor
do calor
em teu lábio.

Ao que tremes,
arrepio é corrente
de ar do ardor:
teu corpo é
todo torpor.

Sabores infâmes
entre dois,
limite inaudito.