(anotações: email pra mim mesmo; encontro: um meio pra mim; metade do mundo: meio, pra mim; introspecção: meio pra mim)
18.12.15
filosofia
...eis que a vida tende a se resumir a uma meia dúzia de multinacionais e uma porrada de escândalos...
30.10.15
Madrileña III
A que memórias se dedica?
Adentrou o fugidio buraco úmido
Eram só dois em dia de festa
O céu era mais intenso que o mar.
De cima, não há o que ver.
Amar, calcular, amar, esqueça!
Era o que era - mas é!
Queria, mas não sabiam - foram!
Até quando há de se lembrar?
Adentrou o fugidio buraco úmido
Eram só dois em dia de festa
O céu era mais intenso que o mar.
De cima, não há o que ver.
Amar, calcular, amar, esqueça!
Era o que era - mas é!
Queria, mas não sabiam - foram!
Até quando há de se lembrar?
Madrileña II
Tranquilidade encravada
rejubila-se pelo seio
que a boca acaricia.
O picadeiro esquenta e o palhaço enlouquece
É madrugada de circo
A noite densa, o espírito liberto
Aventura-se na janela da aurora
o sonho que nunca deseja acabar.
Na grama da relva, o desejo repousa
A fatalidade e o nada
Palavras que não absorve - é fogo,
selva, paixão e intensidade: calor.
rejubila-se pelo seio
que a boca acaricia.
O picadeiro esquenta e o palhaço enlouquece
É madrugada de circo
A noite densa, o espírito liberto
Aventura-se na janela da aurora
o sonho que nunca deseja acabar.
Na grama da relva, o desejo repousa
A fatalidade e o nada
Palavras que não absorve - é fogo,
selva, paixão e intensidade: calor.
Madrileña I
Vejo agora a hora.
Corre pelo parque
em remissões do verbo
antes que possa chegar
instantes crédulos da alegria
sou quem te quero
e não quero.
Só por guardar a terra
que em nós alerta o frescor
de ser e crer em tudo.
Abandono o barco
e remo até o horizonte - sorrio!
Corre pelo parque
em remissões do verbo
antes que possa chegar
instantes crédulos da alegria
sou quem te quero
e não quero.
Só por guardar a terra
que em nós alerta o frescor
de ser e crer em tudo.
Abandono o barco
e remo até o horizonte - sorrio!
17.9.15
Lembranças
A mãe italiana fala ao ouvido. Eco em palavras inaudíveis. Sons que tornam o dia mais branco. Pediu para sair. Eu mesmo não acreditei que Janice viera. Queria sair. O cheiro recendia por toda a casa. Piso do avô, amor fraternal, disputas pelo prato. Estava o céu em queda. Família que não se reunia. Eu mesmo ligaria para todos. Fernanda passa correndo. Nem um beijo. Nem um beijo. Sempre aquele detalhe do queijo que coalha à beirada da entrada. Lembranças. Sons. A tarde que cai, o dia que não vem, noite longa. Fogueira. Velho que se foi. Novo que não vem. Sentiu o som em sua boca.
11.9.15
10.9.15
00:55
O silêncio da alma em tua boca. Carinho de bebê: carrinho de bebê. Espera no sótão. Busca amor e compaixão. Cheira. Erra muitas vezes. Passa por cima. O céu azul escuro de uma noite ensolarada. Passa do reverso. Te grito. Erro. Erro. No continente minha queda. Me acerta. Pega em cheiro. Como eles transbordamos. Poderiam contar imensas histórias. O papel de tenras memórias. - O que quer desenhar em teu corpo? - Aquilo que não perdura. O insaturável. Irascível presença.
1.9.15
Prazer
Desnudar o corpo
com o sabor
do calor
em teu lábio.
Ao que tremes,
arrepio é corrente
de ar do ardor:
teu corpo é
todo torpor.
Sabores infâmes
entre dois,
limite inaudito.
com o sabor
do calor
em teu lábio.
Ao que tremes,
arrepio é corrente
de ar do ardor:
teu corpo é
todo torpor.
Sabores infâmes
entre dois,
limite inaudito.
21.8.15
27.7.15
deslumbre
queria uma foto de um fim de tarde quando olhei pro ralinho da pia da cozinha e achei que nada tinha batido.
quando vi, mais atentamente, as bolhas de sabão eram mais que bolhas, mil e uma cores...
levantei a cabeça e mirei aquela janela da cozinha.
horizonte da sapucaia.
umas cinco e pouco da tarde.
bateu.
nunca vi tamanho arco-íris, um infinito detalhar de cores.
em plena janela da sapucaia.
deslumbrei....
18.7.15
sonhar
a pessoa sonha que é o fim-do-mundo. literalmente. terra desbarrancando pra tudo quanto é lado. tensão. água levando gente, amigos, bichos, florestas, cidades. muita tensão. a pessoa já estava aceitando deixar esse planeta terra. o derradeiro adeus era eminente. pensava no que seria o pós-vida, para qual planeta iria. porém, eis que o terror acaba. a pessoa - e mais uns quatro desconhecidos - estão são e salvos no meio de um território arrasado. o sol ressurge, alguns pássaros cantam e uma borboleta passa. só que a tensão não acaba: agora terão que reconstruir o que restou do planeta terra... só de pensar no peso da tarefa hercúlea (necessária para a sobrevivência), todos desabam e se entregam ao cansaço. a civilização terá que ficar para depois. a pessoa, então, acorda. suada. observa o relógio. já se foram umas seis horas de sono. será que o sonhar, para tal pessoa, significa "descansar"? mirando o teto, ela se pergunta: dormir pra quê??
30.6.15
bumdinha
- por favor, estou procurando por uma bunda.
- ôxi, uma bunda?!
- é, uma bunda.
- ah... que pena, no momento não estamos vendendo...
- que pena...
- mas... podemos te dar!
- dar o que?
- a bunda!
- como assim?
- é, entregamos na tua casa.
- acho que você não entendeu direito...
- aproveita, tá na promoção!
- você não entendeu, eu não quero um cú, eu quero uma bunda!
- mas onde já se viu um cú sem bunda, ou uma bunda sema cú?!
- minha querida, eu só quero comprar uma bunda, um bumbum!
- bumbum?! cuidado, hein, isso é pedofilia...
- (puto)
- mas, me diga, pra que o senhor quer uma “bunda”?
- pra declamar a bunda do Drummond!
- reclamar da bunda do Drummond? Porquê? Era pequena, grande, tava apertada, larga??
- declamar uma poesia, uma poesia do Drummond!!!!
- ah... poesia, entendi... boa desculpa pra fazer um bacanal, hein! agora tô entendendo!
- tá, me desculpe, mas não quero mais a bunda, não quero mais o cú, o que for!
- meu lindo, aproveita, lembra de um ditado da minha terra: bunda dada não se olha o cú.
- e o que abunda não prejudica... me vou. Bumdinha, ops, bom dia!
- bom dia, bunda linda!
- ôxi, uma bunda?!
- é, uma bunda.
- ah... que pena, no momento não estamos vendendo...
- que pena...
- mas... podemos te dar!
- dar o que?
- a bunda!
- como assim?
- é, entregamos na tua casa.
- acho que você não entendeu direito...
- aproveita, tá na promoção!
- você não entendeu, eu não quero um cú, eu quero uma bunda!
- mas onde já se viu um cú sem bunda, ou uma bunda sema cú?!
- minha querida, eu só quero comprar uma bunda, um bumbum!
- bumbum?! cuidado, hein, isso é pedofilia...
- (puto)
- mas, me diga, pra que o senhor quer uma “bunda”?
- pra declamar a bunda do Drummond!
- reclamar da bunda do Drummond? Porquê? Era pequena, grande, tava apertada, larga??
- declamar uma poesia, uma poesia do Drummond!!!!
- ah... poesia, entendi... boa desculpa pra fazer um bacanal, hein! agora tô entendendo!
- tá, me desculpe, mas não quero mais a bunda, não quero mais o cú, o que for!
- meu lindo, aproveita, lembra de um ditado da minha terra: bunda dada não se olha o cú.
- e o que abunda não prejudica... me vou. Bumdinha, ops, bom dia!
- bom dia, bunda linda!
29.6.15
18.6.15
da chegada
estava em casa quando ele chegou
suposta ameaça de pânico, era o amor
em lentos passos lhe deu um beijo ao final
gritava como um louco, era pânico.
suposta ameaça de pânico, era o amor
em lentos passos lhe deu um beijo ao final
gritava como um louco, era pânico.
26.4.15
é paia!
o cabelo da paia
se espaia.
o milho se coze.
e em paia
se cose.
hóme,
não me atrapaia,
sem psicose!
a pamonha
e uma dose
de junuaria:
então, aí, se come!
se espaia.
o milho se coze.
e em paia
se cose.
hóme,
não me atrapaia,
sem psicose!
a pamonha
e uma dose
de junuaria:
então, aí, se come!
16.4.15
depois da meia noite
depois da meia noite é que eu começo a amar.
depois da meia noite é que eu vejo a lua.
lá pela quarta semana é que eu a vejo cheia.
depois da noite é que eu durmo.
enquanto eu durmo, eu sonho com a noite.
durante a noite, eu não me lembro do dia:
eu só me lembro d'ocê!
a noite finda, o primeiro raio do sol:
eu sou dia pra ser noite
e só estar com você!
depois da meia noite eu danço
uma dança inteira
que só acaba no amanhecê.
se eu fosse tua euforia
eu só seria noite
cem dias.
sou tua noite
teu amante.
15.4.15
Tu
14.4.15
moeda
refletindo sobre a moeda. sim, existe a globalização e toda essa dissolução das fronteiras entre os países. mas ainda existe a moeda. tem a internet fluizando muita coisa. comprar uma camisa lá do ecuador, num sítio da internet: bacana! porém tem a taxa de câmbio: elite brasileira reclamando da alta do dólar. (e o que há em jogo na "indústria" nacional-exportadora, que a "mídia" nem passa perto no debate atual?). mais aqueles 60% da taxa da receita - que chato! é, moeda é poder. lembrando josé luís fiori. estado nacional é poder. salve galeano! a proposta de uma integração regional é du caralho. a refletir.
8.4.15
Cidade, desejo
Desce pela escada,
tropeça na malemolência,
cai na lascívia:
o dia começa quente!
O decote da indecência
é abusado nesta cidade:
- Ela gosta,
abordada pelo ar libertino
que a espreita e conduz
o seu gozo mais íntimo.
tropeça na malemolência,
cai na lascívia:
o dia começa quente!
O decote da indecência
é abusado nesta cidade:
- Ela gosta,
abordada pelo ar libertino
que a espreita e conduz
o seu gozo mais íntimo.
5.4.15
1.4.15
Um pouco do Recôncavo Baiano
Salinas da Margarida
Aratuípe
Nazaré
Muniz Ferreira
Santo Antonio de Jesus
Conceição do Almeida
Castro Alves
Varzedo
abriu
março, março, março... o que foi março? o que foi o tempo? é o tempo. agora. só agora. passei, vi, senti, intensifiquei-me. nos. em espaços tão agora, mergulhados em poros, abertos ao todo, tão todos de nós mesmos que nos dilui em nuvens da janela do quinquagésimo andar do sonhar tão intenso desses dias de março. intensidades, aberturas, desventuras e tão agora, abril.
5.3.15
mídia
ultimamente tenho escutado com freqüência a radio nacional do uruguai, "la 30". acabo de entrar no site para ouvir mais um pouco das transmissões. leio que haverá a versão televisiva da rádio, "la 30 tv". a confirmar, suponho que se passe uma democratização na expressão midiática lá pela república oriental. a ver. se se respeitam os intentos de diversos grupos organizados em se lançar na esfera comunicativa (qualquer que esta seja). todos os dias gosto de passar os olhos pela banca de jornal. pelas diversas bancas que encontro no caminho do almoço ou do trabalho. sinto muito, as bancas são várias, mas a diversidade das opiniões é extremamente limitada! quanta aridez! em dois minutos me sinto "informado". uma lida em dois ou três jornais já me dizem o que acontece no mundo - mas o mundo é tão vasto!! me recordo dos anos em que escutava a rádio muda. sons de uma rádio livre que me conectavam ao novo e ao sentido último da autonomia - sentia-me ali. lembro-me, também, de diversos debates que me envolvi numa rádio "pirata" durante as pesquisas de campo no mestrado. nada como a própria feitura do comunicar midiático. atualmente me sinto presente em quase nenhum dos debate que perpassam os principais meios de comunicação: sociais e governamentais. sim a abordar a questão da corrupção - mas, nisso, o que não discutimos é nosso destino enquanto nação; e - no lado que é obliterado pelos meios midiáticos que dominam as bancas que observo - esquece-se o sentido de nossa burguesia capenga: o empresário que corrompe também é vil. porém, onde está a defesa da nação? cadê o porta-voz presidencial? assisto alarmado ao modo como o governo é levado ao reboque das torrentes auto-realizáveis do aparato midiático monopolizador das bancas de esquina (e do facebook, internet e afins). chávez, na venezuela, ao enfrentar o golpe de estado em 2002 (após 3 anos de governo), viu que encampar a batalha midiática era um desafio ao qual não poderia escapar. as várias horas com as quais passava com a população venezuelana, nos domingos, durante o "alô presidente", eram a pura prova dessa estratégia. testemunhei, num domingo de 2007, em caminhada na larga avenida bolivar, que todas as televisões dos bares por onde passei estavam sintonizadas no "alô presidente" - não por conveniência, mas por olhares atentos sobre aquele chávez que falava sobre livros de michael hardt e antonio negri. num domingo, por aqui, após observar catatônico as bancas do meu quarteirão, só (não) podia ver o "domingão do faustão". além disso, aguardar o porta-voz (mudo) da república no canal 10...
9.2.15
Salve Momo!
sim, minha carne é de carnaval. muito carnaval. intenso carnaval. uma
saudade que nos conduz. conduz minha carne nesse domingo de pré-carnaval
pelas ruas do centro. dessa cidade maravilhosa. tenebrosa. colorida.
intensa. já sinto saudade ao pensar. saudade imemorial. tantos que
passaram por mim nesse domingo. tantos, tantas, amigos, amigas, amores,
paixões, corações, sons, intensidades, vibrações. sim, minha carne é de
carnaval. muito carnaval. digo há algum tempo: todo ano deveria
ser carnaval. fantasia, muita fantasia. a cada noite. a cada olhar. a
cada toque. serpentinas, confetes. sempre! a saudade que nos conduz. amo
a todos em cada toque desse dia de domingo de pré-carnaval. carnaval em
fevereiro. tudo mais curto. mais intenso. ano de ogun. intenso. esses amigos que me aturam. que nos encontramos. que nos pensamos. amigos que
nunca nos vimos; e nos sabemos. uma grande fantasia. dizem que o
carnaval é efêmero. sabem de nada. só sei da fantasia. só sei dessa
saudade. e ainda tem o carnaval... vem!!!
minha carne é de carnaval. carne, intenso carnaval. carnaval, intenso carnaval. atravessa-me, intensamente me atravessa. a rua, os corpos, a música, a embriaguez, o passo e o descompasso. tão carne. arrebatador. pula, pula, pula. sem fim. ardentes corpos. sem começo, sem fim. sou todos. ardentes. enquanto corria, ia te chamar: vem! vem! vem! a corrente do desejo pulula. e assim vai. em ardências. candentes. o que será? viu, já é! precipícios intensos em flamejantes volúpias. é carnaval! nega, todo tempo, aqui ali no aconchego do colo do desejo. só, somente só! abre a porta e a janela do desejo. desejo de tu, de nós, do alvorecer. e, de repente, ela nasce. linda menina que me faz sorrir. sorriso de prata. que me conduz. a noite e sua beleza.
***
minha carne é de carnaval. carne, intenso carnaval. carnaval, intenso carnaval. atravessa-me, intensamente me atravessa. a rua, os corpos, a música, a embriaguez, o passo e o descompasso. tão carne. arrebatador. pula, pula, pula. sem fim. ardentes corpos. sem começo, sem fim. sou todos. ardentes. enquanto corria, ia te chamar: vem! vem! vem! a corrente do desejo pulula. e assim vai. em ardências. candentes. o que será? viu, já é! precipícios intensos em flamejantes volúpias. é carnaval! nega, todo tempo, aqui ali no aconchego do colo do desejo. só, somente só! abre a porta e a janela do desejo. desejo de tu, de nós, do alvorecer. e, de repente, ela nasce. linda menina que me faz sorrir. sorriso de prata. que me conduz. a noite e sua beleza.
30.1.15
Cosmo
Modulações do cosmo
implacáveis ondas
imensidão de tudo
o muito mais infinito.
Cosmo - o que é, o que está -
impessoal, além-ego
transcendência das palavras
sou-te somente entrega.
implacáveis ondas
imensidão de tudo
o muito mais infinito.
Cosmo - o que é, o que está -
impessoal, além-ego
transcendência das palavras
sou-te somente entrega.
20.1.15
Tijolos
Cada caso é uma casa
que se constrói
com o desejo
do diálogo,
do cuidado,
da honestidade e
da ternura.
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