18.11.17

Apunte

Reconcilio-me comigo mesmo,
sigo com meu sorriso
(e duas malas de 50 quilos).
Pois vida é de uso e gozo,
não é propriedade 
nem sofrimento.

Hoje faz um mês
de mudança - e hoje
me dei conta que mudança
é sempre interna,
não está lá fora.

Sigo em frente sorrindo
e transbordando amor.
Renascer sempre é possível,
está acontecendo
e em todo lugar.

11.11.17

"Esse é o amor que eu quero!"

Quando o tempo para em guarida terna.
Adentrar-se em labirinto do teu leito.
Selvas de tuas coxas,
pelos encharcados por maresia de desejo.

Vislumbro, ao horizonte, tempestade
- o vento que sopra de teu hálito cálido
insinua torrentes de sussurros delirantes,
orgasmos, bem-querer.

Há tormenta. E há teu abrigo.
Casa é liberdade. E, a tua, ainda libertinagem.
Alheado do pudor, me entrego. Até o que não sei ser.

Respeitamos segredos.
E com o secreto, obscuro, jogamos.
Desejo se atiça no entredizer, sussurros a instilar.

Se em hora de gozo, por mudo delírio gritei:
"Esse é o amor que eu quero!"
é porque não o soube definir.
Foi sentimento, percepção, experienciação.
Palpite, enfim: rocei o vento e o vapor
de mil eras atrás.

Sem ser passado, tampouco devir,
esvai-se por entre mãos, sexo e visões
a penetrar e enredar-se
por mil pórticos de arrebatamento e frenesi.

Amor assim é portão de casa:
caminho de aconchego e assanhamento de vereda.

2.11.17

locos, locos

una sonrisa, la palabra dicha
la espalda que veo y que deseo
nuevas perspectiva, ciudad de la locura
el viento, lengua de tus aires
la libertad y la muy buena onda
vivir en ti sin tenerte
eterno pasajero del presente
somos muchos, muchísimos
y gritamos hacia los planetas:
no a la mala leche,
viva el deseo!