ah, aquele caderno
que me alucina
a escrever,
a escrever...
é calor,
emoção
em pele,
ardor.
palavras,
escreve ou
não escrevo.
o quê?
qualquer
alucinação.
em breve,
paixão.
(anotações: email pra mim mesmo; encontro: um meio pra mim; metade do mundo: meio, pra mim; introspecção: meio pra mim)
30.11.13
27.11.13
Impenetrável experiência
Sexta-feira ensolarada, cidade de São Paulo. Feriado da Proclamação da República. Três da tarde na entrada do Cemitério do Araçá. Me junto a um grupo de dez pessoas. Cada qual recebe seu mp3 player e um fone de ouvido. Ao mesmo tempo apertamos o play e começamos a seguir a guia pelo cemitério. Andamos entre os túmulos. No fone uma voz alegre canta uma canção fria, letra de Hélio Oiticica. Passamos rente aos túmulos. Muitos são monumentais; outros poucos, modestos. Vários reuniam famílias inteiras. Olho a parte de cima de um túmulo e observo um busto com a inscrição: "engenheiro fulano de tal". Penso: uma vida vale por seu túmulo? Quando me dou conta, estou pisando sobre um túmulo: cometi um sacrilégio? Continuando, leio sobrenomes de famílias japonesas, polonesas, italianas... Reflito: quantas vidas foram deslocadas pelo mundo? Logo observo túmulos despedaçados: um crime, o profano, o esquecimento? Descemos uma rua e chegamos a túmulos mais simples, pequenos, singelos. Suspeito que as hierarquias sociais também organizam o destino dos mortos.
Vinte minutos de caminhada e adentramos um galpão branco. Acima da porta de entrada há uma placa com a inscrição: "Ossário Geral". A porta se fecha. Escuridão, vertigem. Os projetores se acendem. Fotos são reproduzidas em mármores brancos pelo salão. Olho para o lado e vejo gavetas de cimento do chão ao teto. Algumas tampadas com a inscrição "IML". Depois de dez minutos andando pelo salão a porta é reaberta. O sol sufoca a tarde e eu não sei mais o que aconteceu, não me sinto bem. Retiramos o fone. Termina o passeio intitulado "Penetrável Genet – Experiência Araçá", dentro da X Bienal de Arquitetura de São Paulo. Não há explicações. Confuso, leio o texto de uma placa na parede do ossário. Ali estão mais de mil ossadas de desaparecidos e mortos da ditadura militar, encontrados no bairro de Perus no início dos anos 90.
Ainda confuso, ao longo do final do dia vou ligando pontos desconexos da trama que envolve essa estranha experiência. O passeio se inspira em texto de Jean Genet, em que defende a ocupação artística de cemitérios. O início das atividades com esses passeios foi precedido por um ato inter-religioso do Comitê Paulista pela Memória, Verdade e Justiça. Dias depois do ato, as instalações no ossário foram danificadas por vândalos. Naquele 15 de novembro, o corpo de Jango era exumado... Sem muito sucesso, ainda tento ligar os pontos dessa experiência, confusa em seus inesperados dramas e situações-limite.
Vinte minutos de caminhada e adentramos um galpão branco. Acima da porta de entrada há uma placa com a inscrição: "Ossário Geral". A porta se fecha. Escuridão, vertigem. Os projetores se acendem. Fotos são reproduzidas em mármores brancos pelo salão. Olho para o lado e vejo gavetas de cimento do chão ao teto. Algumas tampadas com a inscrição "IML". Depois de dez minutos andando pelo salão a porta é reaberta. O sol sufoca a tarde e eu não sei mais o que aconteceu, não me sinto bem. Retiramos o fone. Termina o passeio intitulado "Penetrável Genet – Experiência Araçá", dentro da X Bienal de Arquitetura de São Paulo. Não há explicações. Confuso, leio o texto de uma placa na parede do ossário. Ali estão mais de mil ossadas de desaparecidos e mortos da ditadura militar, encontrados no bairro de Perus no início dos anos 90.
Ainda confuso, ao longo do final do dia vou ligando pontos desconexos da trama que envolve essa estranha experiência. O passeio se inspira em texto de Jean Genet, em que defende a ocupação artística de cemitérios. O início das atividades com esses passeios foi precedido por um ato inter-religioso do Comitê Paulista pela Memória, Verdade e Justiça. Dias depois do ato, as instalações no ossário foram danificadas por vândalos. Naquele 15 de novembro, o corpo de Jango era exumado... Sem muito sucesso, ainda tento ligar os pontos dessa experiência, confusa em seus inesperados dramas e situações-limite.
25.11.13
Místico
A força mística é quem manda! O místico. As forças mais interiores e intensas. Aquelas que são mobilizadas por meio da ativação de um código secreto. As substâncias vitais que transportam para o outro lado. Equilibram o corpo volátil para fazer chegar ao outro lado. O contato com o inexprimível - tão-somente sensações divinas. Para além da ansiedade, do modelo, da tensão, da expectativa, do esperar. O agora, pleno. Nele. Ele. O feminino que toma tudo, que estabiliza. A comunicação plena. Por não ser comunicação. A ação liberta do pensamento. A música. Fluir. O repetido, não é monotonia. Essencial. Puro, simples e maravilhoso. Grande, cabe no coração. Riso. Choro. Aventura e paixão. O novo visto no velho. Eterno retorno. Cais. Mar. Águas. Entrechoques. Ares. Marés. Rios e beiras. Tranquilidade. Místico.
24.11.13
(In)ver(s)ão
Piruetas, rodopios,
cabeça invertida.
Teto no céu,
ancoro meu prazer
em ilha de êxtase.
Confundo amor e paixão
- que confusão! -
só quero saber de prazer.
Amo lentamente,
somos dois em fúria.
De noite, de dia,
entrega profunda.
Criadora de poesia.
Me deixo aplacar
pelo saber, pelo odor, pelo calor.
Pele, quanta superfície,
arrebata a experiência!
Vem me ter, me ater
ao teu prazer.
Loucura, doçura - cura
o meu sofrer
por não ter.
Sou irresponsável
ao dizer
essas palavras.
"Sacana!" - diz.
"Você é...". Sou eu.
cabeça invertida.
Teto no céu,
ancoro meu prazer
em ilha de êxtase.
Confundo amor e paixão
- que confusão! -
só quero saber de prazer.
Amo lentamente,
somos dois em fúria.
De noite, de dia,
entrega profunda.
Criadora de poesia.
Me deixo aplacar
pelo saber, pelo odor, pelo calor.
Pele, quanta superfície,
arrebata a experiência!
Vem me ter, me ater
ao teu prazer.
Loucura, doçura - cura
o meu sofrer
por não ter.
Sou irresponsável
ao dizer
essas palavras.
"Sacana!" - diz.
"Você é...". Sou eu.
10.11.13
4.11.13
Veraneio
O sol chegou,
aquece os pensamentos.
Quando vi,
já eram mais de mil
ao meu redor.
Ecoavam de suas mentes
o odor primaveril,
misto de amor e alfazema.
Levaram meu corpo ao mar.
A alma entregou-se ao torpor
de mil beijos ardentes.
O corpo fremente; a alma ardente.
A primavera chegou.
Grãos de areia, reluzem a festa
de raios do sol, do céu anis.
Quando dei por mim
o horizonte era colorido -
intensamente dolorido
pelo amor em tudo.
Resta o vento
em brisa: é calor,
é primavera.
Na cama,
não pretendo tirar
o sol da pele.
aquece os pensamentos.
Quando vi,
já eram mais de mil
ao meu redor.
Ecoavam de suas mentes
o odor primaveril,
misto de amor e alfazema.
Levaram meu corpo ao mar.
A alma entregou-se ao torpor
de mil beijos ardentes.
O corpo fremente; a alma ardente.
A primavera chegou.
Grãos de areia, reluzem a festa
de raios do sol, do céu anis.
Quando dei por mim
o horizonte era colorido -
intensamente dolorido
pelo amor em tudo.
Resta o vento
em brisa: é calor,
é primavera.
Na cama,
não pretendo tirar
o sol da pele.
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