(anotações: email pra mim mesmo; encontro: um meio pra mim; metade do mundo: meio, pra mim; introspecção: meio pra mim)
5.3.15
mídia
ultimamente tenho escutado com freqüência a radio nacional do uruguai, "la 30". acabo de entrar no site para ouvir mais um pouco das transmissões. leio que haverá a versão televisiva da rádio, "la 30 tv". a confirmar, suponho que se passe uma democratização na expressão midiática lá pela república oriental. a ver. se se respeitam os intentos de diversos grupos organizados em se lançar na esfera comunicativa (qualquer que esta seja). todos os dias gosto de passar os olhos pela banca de jornal. pelas diversas bancas que encontro no caminho do almoço ou do trabalho. sinto muito, as bancas são várias, mas a diversidade das opiniões é extremamente limitada! quanta aridez! em dois minutos me sinto "informado". uma lida em dois ou três jornais já me dizem o que acontece no mundo - mas o mundo é tão vasto!! me recordo dos anos em que escutava a rádio muda. sons de uma rádio livre que me conectavam ao novo e ao sentido último da autonomia - sentia-me ali. lembro-me, também, de diversos debates que me envolvi numa rádio "pirata" durante as pesquisas de campo no mestrado. nada como a própria feitura do comunicar midiático. atualmente me sinto presente em quase nenhum dos debate que perpassam os principais meios de comunicação: sociais e governamentais. sim a abordar a questão da corrupção - mas, nisso, o que não discutimos é nosso destino enquanto nação; e - no lado que é obliterado pelos meios midiáticos que dominam as bancas que observo - esquece-se o sentido de nossa burguesia capenga: o empresário que corrompe também é vil. porém, onde está a defesa da nação? cadê o porta-voz presidencial? assisto alarmado ao modo como o governo é levado ao reboque das torrentes auto-realizáveis do aparato midiático monopolizador das bancas de esquina (e do facebook, internet e afins). chávez, na venezuela, ao enfrentar o golpe de estado em 2002 (após 3 anos de governo), viu que encampar a batalha midiática era um desafio ao qual não poderia escapar. as várias horas com as quais passava com a população venezuelana, nos domingos, durante o "alô presidente", eram a pura prova dessa estratégia. testemunhei, num domingo de 2007, em caminhada na larga avenida bolivar, que todas as televisões dos bares por onde passei estavam sintonizadas no "alô presidente" - não por conveniência, mas por olhares atentos sobre aquele chávez que falava sobre livros de michael hardt e antonio negri. num domingo, por aqui, após observar catatônico as bancas do meu quarteirão, só (não) podia ver o "domingão do faustão". além disso, aguardar o porta-voz (mudo) da república no canal 10...
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