E essa noite, de bárbaros e barbáries.
Noite para uivar à lua.
E uivamos!
Todos juntos, em uma só pessoa, uivamos.
O vinho aqueceu a boca e o corpo.
Me aqueceu, não aquietei, até agora.
Danças hipnóticas no gramado,
lua que iluminou meus pés, e meus passos.
Não deixar escapar nada, pelo que fosse desejo.
A aranha que nos acompanhou, a poeta.
Os cachorros que eram meus e nossos.
O leite condensado que não foi.
A esperança de ser, sendo.
Raulzito, meu amor, você estava aqui.
E te oferecemos, o vinho.
E sorvemos todos os teus afagos, todas as tuas letras.
Declamamos a ti, lua, esta noite,
de sonhos e de aberturas.
Conheci tu e tu e tu e tu e tu e eu,
em um deleite de gostosura.
Fizemos um nhoque!
Até a próxima poesia!
(anotações: email pra mim mesmo; encontro: um meio pra mim; metade do mundo: meio, pra mim; introspecção: meio pra mim)
31.10.13
30.10.13
trans...
você me transporta,
você me transforma,
você me transtorna!
nossas deliciosas trans...
tantas trans... em devir,
a vir, a re-ver:
haver de nos ver!
você me transforma,
você me transtorna!
nossas deliciosas trans...
tantas trans... em devir,
a vir, a re-ver:
haver de nos ver!
27.10.13
Só Mar
Um mantra: "sem pretensões".
A noite nunca cai
numa tarde de primavera.
Recordei o que é escrever
quando toquei o infinito
do mar.
A beleza te atropela:
é verão, é praia, é calor.
Um biquini branco.
A espuma do mar
te acalma
ou te assanha?
Sabedoria e silêncio,
fogo e criação:
a areia da praia
é fina
só quando a piso.
O sonho ainda está
fora do entardecer,
em busca do amanhecer,
pleno do anoitecer.
Aguardar. Qual o momento?
"E se..." - o divino.
- O que você faz?
- Eu conto as ondas do mar.
Olhar. Buscar. Achar.
O Nada se desvelou.
Pegou pela mão
e foram se eternizar.
Ao mar, amar!
Há mar no amar!
Em mar só amar!
O mar intimar,
amar, acalmar.
Sinto a maresia.
Sou daqueles do mar & cia.
O mar em verde.
O céu em rosa.
Eu em branco.
Cores em festa!
Sereira,
onde estás?
Sereia,
vês!
Aqui na areia,
pra ser
só alegria...
O infinito
traz
desprendimento.
Nobre
sentimento.
14.10.13
Ares novos
A mudança nos ares do mundo psíquico é lenta e inconsciente. A partir de ordens conscientes, as mudanças ocorrem ao largo do tempo. Ordens que tem que ser dadas indireta e suavemente. Várias vezes, com intervalos generosos de tempo.
Em um correr de momentos, sente-se, deliciosamente, o sabor da mudança. Mexe com o olhar do mundo e sobre o agir nesse mundo. O eu vibra em ondas diferentes. O corpo, em seus vários recantos, adentra novas possibilidades. O céu se amplia; a brisa, regenerada em ineditismos, é docemente penetrante do espírito. Viver é bem isso.
Em um correr de momentos, sente-se, deliciosamente, o sabor da mudança. Mexe com o olhar do mundo e sobre o agir nesse mundo. O eu vibra em ondas diferentes. O corpo, em seus vários recantos, adentra novas possibilidades. O céu se amplia; a brisa, regenerada em ineditismos, é docemente penetrante do espírito. Viver é bem isso.
12.10.13
O respeito ao perfume
"O toque de pele contra pele exala um perfume, mas a fricção das palavras gera apenas dor e cisão. Formular sem destruir com o intelecto, sem interferir, sem matar, sem murchar. Foi o que aprendi com a vida, essa delicadeza e esse deslumbre dos sentidos. O respeito ao perfume será lei em minha arte.
É a poetisa que se afirma diante da batalha contra a psicanálise."
[Anaïs Nin, In: "Incesto"]
É a poetisa que se afirma diante da batalha contra a psicanálise."
[Anaïs Nin, In: "Incesto"]
11.10.13
Destino
Um sentido para a vida: há um destino. Existe um caminho trilhado, pelo qual vou percorrendo a vida. O que é trilhado depende das perguntas que faço. E do quanto consigo respondê-las. Uma pergunta pode ser para a vida toda. Uma pergunta pode ser uma fase que vivo. E, ao respondê-la, passo à outra fase, com novas perguntas. Sobre quais perguntas me debruço e sobre quais trilhas constituo minhas respostas: eis aí o lugar do destino. O que consigo controlar sobre essas feituras, das perguntas e das trilhas? Quase nada.
7.10.13
noite e seus olhos....
noite e seus olhos...
olhei lá...
no fundo...
vi?
viu.
me.
saí.
não caí.
caí.
ali.
me olha, olha, vê.
que fim.
há, sim.
montanha.
hás.
quer.
pega.
dichava. quer.
tem?
pouco.
ando.
relva.
caminho.
costas, pelos, rastros.
me tem.
quer?
vem.
espera.
esperma.
espera.
m.
masculin.
feminan.
freia.
feia.
bela?
na tela.
bela?
pelo, bela?
ainda, bela.
fela.
dança.
espera, ruge, estraçalha...
meu coração...
oh...
olhei lá...
no fundo...
vi?
viu.
me.
saí.
não caí.
caí.
ali.
me olha, olha, vê.
que fim.
há, sim.
montanha.
hás.
quer.
pega.
dichava. quer.
tem?
pouco.
ando.
relva.
caminho.
costas, pelos, rastros.
me tem.
quer?
vem.
espera.
esperma.
espera.
m.
masculin.
feminan.
freia.
feia.
bela?
na tela.
bela?
pelo, bela?
ainda, bela.
fela.
dança.
espera, ruge, estraçalha...
meu coração...
oh...
6.10.13
Pensamentos
- Ok.
- Como são? Crescem como rosas em um jardim... ou são selvagens,
como os cactos, ou as ervas?
- Uma espécie de selva.
- Uma espécie de selva.
- Seria lindo poder plantar pensamentos nas cabeças... assim
não teríamos más recordações. Seria possível plantá-las... você sabe... só as
coisas boas que se tem... como uma infância feliz... bons pais. Só as coisas
boas.
- Só para esquecer o quão horrível foi.
- Este é o ponto! Não há nada horrível."
[Trecho de diálogo entre Daria e Mark, no filme Zabriskie Point, de Antonioni]
com zê.
células d'eu
poesia estranha
sai ou não
quem beijas?
sim, és tu!
... o que é?
peixe, cão, gato
dúvida que prega
em alto e bom
escrúpulo. curto.
vem, vem, só
digo o que quero
desejo e arrebatamento
extenso, só.
ama, vem, o curto
tempo - não há
o que andar.
amar em flores
- são todas tão
murchas - espera
a freira - em feira
amanhecemos o dia
tão longo, é tão bonito
o dia em laranjeiras
mas é domingo;
segunda, terça, o que
espera? uma flor em
laço: fica!
se arrebanha!
não diz. apenas sonhos
passou ali,
bomba, é gaz
gazolina, com z.
furmiga eu!
não é possível.
então, que mais?
queiras, queiros, ques...
enfim, a sós...
só.
poesia estranha
sai ou não
quem beijas?
sim, és tu!
... o que é?
peixe, cão, gato
dúvida que prega
em alto e bom
escrúpulo. curto.
vem, vem, só
digo o que quero
desejo e arrebatamento
extenso, só.
ama, vem, o curto
tempo - não há
o que andar.
amar em flores
- são todas tão
murchas - espera
a freira - em feira
amanhecemos o dia
tão longo, é tão bonito
o dia em laranjeiras
mas é domingo;
segunda, terça, o que
espera? uma flor em
laço: fica!
se arrebanha!
não diz. apenas sonhos
passou ali,
bomba, é gaz
gazolina, com z.
furmiga eu!
não é possível.
então, que mais?
queiras, queiros, ques...
enfim, a sós...
só.
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