25.8.16

Ariana e Dionísio

meio tonto,
meio anjo dormido,
vivo pra mim
- creio que tão
só a mim -
uma fábula
invertida,
tragédia grega
sem sentido.
se era pra ser
Dionísio e Ariana,
sinto tão somente
o polo oposto
de antiga dualidade
- eis minha agonia,
por muito, uma ironia.
veja só,
a adorada poetisa
Hilda Hilst assim
cantara:
"A cada noite, eu Ariana, preparando
Aroma e corpo. E o verso a cada noite
Se fazendo de tua sábia ausência."
em recentes imemoráveis noites
tento eu me iluminar
de sábias ausências...
qual a sabedoria da ausência?
ironia? talvez, destino?
tragédia, sim, tragédia,
compreensão que dos gregos
tento decifrar.
uma Ariana tão Dionísio,
um Contemporâneo
tão Antiguidade,
a inversão dos tempos
e do meu coração
é o amor que pulsa
incontrolavelmente
em tua direção.

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