13.7.16

taberna

bodegas amistosas repletas de vinho. palavras ecoam pelas madeiras envernizadas por suores ébrios em décadas de copos meio vazios, meio cheios. o velho rabugento que sempre sorri como forma de cortesia. o que seria se esconder naquele buraco sujo? procuramos desculpas, sempre desculpas. e uma incapacidade de ser simples e direto - sem medos - faziam pesar as palavras por ali. um beijo, certo dia, pôs abaixo pelo ralo o éter que ludibriava aqueles corpos impregnados de desespero. cinco minutos que não se aguentaram. um beijo que se ansiavam, sem lugar para acontecer, pois já tão carnal. portanto tão rápido. impactante, talvez, mas incapaz de irromper o desejo de vento, afeto e maresia naquela figura cuja vibração carnal já se tornara tão-somente reticências. um beijo passou, assim como passa a corrente de ar gélida de uma noite enevoada de inverno por entre a porta que se abre - e só se quer fechá-la, sem no entanto se ter a vontade de fazê-lo, pois o pensar no simples ato de movimentar a porta (e a enorme satisfação que trará) já toma todo o pensamento, todo o existir, e nenhum imprevisto poderá abalar a tranquilidade do pacato mundo interior. sim, há todos esses tipos de lugares que nos parecem charmosos por dentro, recheados por vibrações de aventuras e emoções que se abrem em conversas e trocas de olhares emergidas de líquidos inebriantes e de pequenos acepipes comestíveis. e sim, existem tipos que decantam os lugares com o verniz dos círculos que se fecham sobre si mesmos. são tipos de lugares que instigam o olhar observador. ver que há o fora e o dentro, o círculo e o fora do círculo. bom, também, é viver lá fora. e adentrar as cavernas para se beijar um beijo que não se espera, mesmo que por míseros cinco minutos.

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