17.7.16

reciprocidade

uma taça de vinho
o vento silvando na janela
oito graus lá fora
um coração ardente
queimam-se linhas,
entrelinhas e parágrafos
de letras e palavras
que só teimam em dizer:
"te quero".
o telefone que não sona
o desejo que fica:
"me rabisca da cabeça
aos pés - e então
me enrola e corta e
me remenda".
saí com a lua como companheira,
dizia que te amava,
ela sorria, aconselhava,
tenha calma, não queiras,
desejo é nulidade -
ela pensa em você.
lua de saber,
despejo na noite meu
júbilo - confidente
astro desfaz um pedaço
do mistério:
sei que é recíproco.

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