13.8.14

Não-Lugar

Janela escancarada,
cidade que pulsa,
é noite em Vitória.

Escrevo de um não-lugar.
O quarto de um hotel velho.

Lá embaixo,
piscina vazia
- possibilidade não realizada
de mil diversões.

Não quero,
não procuro,
não anseio
por coisa
qualquer.

Os prédios,
a movimentada avenida,
o morro de pedra,
estão todos ali.

E eu
aqui.

Nos vemos
e deles
nada reclamo.

Sozinho
nesta noite de lua cheia,
- infelizmente não a vejo
da escancarada janela,
em cujo peitoril escrevo -
a música e o livro
são única companhia.

Não bebo,
não fumo,
não vejo tv.
Nada em mim
quer fugir.

Um amor
não me falta.
Se o amor
agora chegasse,
eu amaria.
Se não chegasse,
eu também amaria.

Debruçado
sobre o peitoril
da janela do quarto andar
tão-somente sou
o aqui
o agora
o instante
em si mesmo.

Densa cidade
de milhares
de homens
e mulheres,
noite amena:
nada me assusta,
incrivelmente
nada me perturba.

Estrelas em céu azul escuro;
um sorriso e uma respiração profunda.

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