Janela escancarada,
cidade que pulsa,
é noite em Vitória.
Escrevo de um não-lugar.
O quarto de um hotel velho.
Lá embaixo,
piscina vazia
- possibilidade não realizada
de mil diversões.
Não quero,
não procuro,
não anseio
por coisa
qualquer.
Os prédios,
a movimentada avenida,
o morro de pedra,
estão todos ali.
E eu
aqui.
Nos vemos
e deles
nada reclamo.
Sozinho
nesta noite de lua cheia,
- infelizmente não a vejo
da escancarada janela,
em cujo peitoril escrevo -
a música e o livro
são única companhia.
Não bebo,
não fumo,
não vejo tv.
Nada em mim
quer fugir.
Um amor
não me falta.
Se o amor
agora chegasse,
eu amaria.
Se não chegasse,
eu também amaria.
Debruçado
sobre o peitoril
da janela do quarto andar
tão-somente sou
o aqui
o agora
o instante
em si mesmo.
Densa cidade
de milhares
de homens
e mulheres,
noite amena:
nada me assusta,
incrivelmente
nada me perturba.
Estrelas em céu azul escuro;
um sorriso e uma respiração profunda.

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